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Split payment no marketplace: como funciona e quando começa

Resumo direto

O split payment é o recolhimento do IBS e da CBS no momento do pagamento: a instituição que processa o Pix, o cartão ou o boleto separa o imposto e repassa ao governo, e o vendedor recebe o valor já sem ele. Segundo a Receita Federal, a adesão é opcional e gradual em 2027 e obrigatória nas vendas entre empresas a partir de 2028. O imposto não aumenta; o que muda é o caixa, porque acaba o prazo entre receber a venda e pagar a guia.

Neste artigo
  1. O que é split payment?
  2. Quando o split payment começa a valer?
  3. Como o split payment funciona na prática?
  4. Quem entra no split payment?
  5. Como o split payment afeta o caixa do vendedor?
  6. Por que a nota fiscal fica ainda mais importante?
  7. Como se preparar para o split payment?
  8. Fontes

O split payment é a parte da reforma tributária que mexe com o dinheiro na conta de quem vende. Ele está previsto na Lei Complementar 214/2025, mas boa parte dos detalhes ainda está em regulamentação.

Este guia trata só do mecanismo: o que é, quando começa, quem entra e o efeito no caixa. O cronograma completo do IBS e da CBS está no guia da reforma tributária para quem vende em marketplace.

O que é split payment?

Hoje, o vendedor recebe o valor da venda e paga o imposto depois, na guia do mês seguinte. No split payment, o imposto é separado no pagamento: a instituição que liquida a transação manda a parte do IBS e da CBS direto para o governo.

A palavra vem do inglês e quer dizer "pagamento dividido". Em português, a lei fala em recolhimento na liquidação financeira da operação.

Quando o split payment começa a valer?

O cronograma divulgado pela Receita Federal mudou ao longo de 2026. A versão mais recente é esta:

Período Situação prevista
2026 Testes internos com as instituições financeiras. Sem split na prática.
2027 Adesão opcional e gradual, começando pelas vendas entre empresas (B2B).
A partir de 2028 Obrigatório nas vendas entre empresas, segundo a Receita Federal.
Vendas a consumidor final Calendário ainda depende de regulamentação.

Como a maior parte das vendas em marketplace é para pessoa física, o vendedor tende a sentir o split mais tarde que as empresas que vendem para outras empresas. Ainda assim, vale acompanhar as publicações da Receita.

Como o split payment funciona na prática?

O desenho previsto na lei segue estes passos:

  1. O vendedor emite a NF-e com o IBS e a CBS da operação.
  2. O comprador paga por um meio eletrônico, como Pix, cartão ou boleto.
  3. A instituição que processa o pagamento identifica a operação e separa o valor do imposto.
  4. O imposto vai para o governo, e o vendedor recebe o restante.

Como o imposto separado considera os créditos de cada empresa, e como fica a separação em cada meio de pagamento, ainda está em regulamentação. Desconfie de explicações que tratam esses detalhes como definidos.

Quem entra no split payment?

Quem vende Como fica
MEI Fora do split. Continua na guia fixa mensal.
Simples Nacional no DAS O imposto segue a regra do Simples.
Simples com IBS e CBS por fora (opção a partir de 2027) Segue as regras do regime regular.
Lucro Presumido e Lucro Real Entram no split conforme o cronograma.

Se você está perto do limite do MEI ou pensando em mudar de regime, o guia MEI ou ME para vender em marketplace ajuda a comparar.

Como o split payment afeta o caixa do vendedor?

O imposto não aumenta. O que muda é quando ele sai.

Um exemplo hipotético, com números redondos só para ilustrar: numa venda de R$ 100 com R$ 20 de imposto, hoje o vendedor recebe os R$ 100 (descontada a comissão do marketplace) e paga os R$ 20 na guia do mês seguinte. Com o split, os R$ 20 saem no pagamento, e o vendedor recebe R$ 80 (descontada a mesma comissão).

O resultado no fim do mês é o mesmo. A diferença é que o dinheiro do imposto deixa de ficar no caixa até o vencimento da guia, e quem usava esse prazo para comprar estoque precisa de outra fonte de capital de giro.

Por que a nota fiscal fica ainda mais importante?

O valor separado no pagamento é ligado ao documento fiscal da operação. Nota com NCM ou classificação tributária errada leva a imposto errado, retido na hora.

Além disso, a Lei Complementar 214/2025 responsabiliza a plataforma digital pelo IBS e pela CBS em casos específicos, como o de fornecedor que não emite documento fiscal. Por isso, os marketplaces tendem a exigir nota em mais vendas. O passo a passo de como emitir NF-e em marketplace explica o cadastro fiscal que evita esses erros.

Como se preparar para o split payment?

  1. Revise o NCM e a tributação de cada produto, porque o imposto separado vem da nota.
  2. Emita NF-e em todas as vendas em que for possível, de preferência em lote e de forma automática.
  3. Monte uma reserva de capital de giro para o período em que o imposto passar a sair no pagamento.
  4. Recalcule a margem por canal considerando o recebimento líquido do imposto.
  5. Acompanhe a regulamentação da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS.

O emissor de NF-e do Gestor Shop emite em lote as notas das vendas do Mercado Livre, Shopee, TikTok Shop, Magalu e Shein, com o imposto calculado pelo cadastro fiscal do produto.

Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação do seu contador. As regras do split payment ainda estão em regulamentação.

Fontes

Perguntas frequentes

O que é split payment?

É o recolhimento do IBS e da CBS no momento do pagamento. Quando o comprador paga, a instituição que processa o pagamento separa a parte do imposto e a envia ao governo, e o vendedor recebe o valor sem esse imposto. Ele está previsto na Lei Complementar 214/2025.

Quando o split payment começa a valer?

Segundo a Receita Federal, a adesão começa opcional e gradual em 2027, nas vendas entre empresas, e passa a ser obrigatória nessas vendas a partir de 2028. Para as vendas a consumidor final, o calendário ainda depende de regulamentação.

MEI e Simples Nacional entram no split payment?

O MEI fica fora, porque paga uma guia fixa. A empresa do Simples que continua no DAS tem o imposto calculado pela regra do Simples. Quem optar por recolher IBS e CBS por fora, no regime regular, a partir de 2027, segue as regras de quem está nesse regime.

O split payment aumenta o imposto?

Não. O split muda o momento do recolhimento, não a alíquota. O efeito está no caixa: o imposto deixa de ficar com o vendedor até o vencimento da guia e sai na hora do pagamento.

Vale para Pix, cartão e boleto?

A lei prevê o split para os meios de pagamento eletrônicos, como Pix, cartão e boleto. A forma de separar o imposto em cada meio, e em que momento, ainda está em regulamentação pela Receita Federal e pelo Comitê Gestor do IBS.

Preciso de nota fiscal para o split funcionar?

Sim. O valor do imposto separado no pagamento é ligado ao documento fiscal da operação. Sem nota, não há como identificar o imposto devido, e a lei responsabiliza a plataforma em casos específicos, como o de fornecedor que não emite documento fiscal.